Lexopran 10ml
_Dr, tenho desconfiado de mim, e em mim me perdido aos poucos, tenho subtraído os meus passos e ficado estático. Minhas dúvidas se sobrepõem e, já não sei se quero estar onde desejei ou seguir "sempre em frente".
"_Lexopran 10ml, duas vezes ao dia, volte no próximo mês, se houver recidiva, multiplico a receita por 3."
"_Lexopran 10ml, duas vezes ao dia, volte no próximo mês, se houver recidiva, multiplico a receita por 3."
domingo, 3 de outubro de 2010
03/10 - Se beber vote, se não beber vote certo!
Cumpridas as obrigações do domingo eleitoral, pedidos de desculpas feitas, ligações emergenciais, visitas dominicais e um sorvete de pistache pra encerrar o dia. Calorão!!!
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Pé na tábua!
Tudo em ordem, tudo bem, tudo sob controle. Já estou pintando o sete por aqui, aliás, pintanto mesas, cadeiras, paredes, voltei com aquela energia transcendental. Coração em paz, sossegado, cumprindo o período sabático. Estou zen. E como é bom não se debater, não correr de um lado pra outro, não carregar o peso dos outros, não ter que justificar-se, não precisar mentir, não armar situações, não precisar competir, não precisar provar o que sabe, ou fingir que não sabe. Uff!
Que grande alívio!
Agora é só cumprir aquela agenda horrível: preparar comidinhas gostosas, fazer programas legais com pessoas bacanas, ler por puro prazer, ver filminhos novos e velhos, rodar de carango por aí, olhar a paisagem, e de vez em quando, dar uma escapulidinha que ninguém é de ferro, uai!
Que grande alívio!
Agora é só cumprir aquela agenda horrível: preparar comidinhas gostosas, fazer programas legais com pessoas bacanas, ler por puro prazer, ver filminhos novos e velhos, rodar de carango por aí, olhar a paisagem, e de vez em quando, dar uma escapulidinha que ninguém é de ferro, uai!
sábado, 18 de setembro de 2010
Últimas providências
Acordar, atender o interfone, levantar, dar um tapa na aparência, jogar uma roupa meio decente no corpo( vou de legging, camiseta da sininho, sapatilha dourada), seguir leve, fazer a unha, arrumar o cabelo, ajudar alguém, ficar feliz, ajudar alguém de novo, comer uma massa, terminar "comer, rezar, amar", dormir, acordar, entender aquela história da minha vizinha, conversar sobre relacionamento, ouvir, calar, ver uma coisa legal, chorar baixinho, ajudar alguém, ler, passar um café, ler uns emails, agradecer, pensar, sentir, e continua... Vamos sair pra jantar? Talvez.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Contagem regressiva
10,09,08...daqui a pouco estarei refazendo o percurso que me leva de volta pra mim mesma, para minha história. É como se eu voltasse a fita e o filme retrocedesse,mas agora o filme é outro...
Estranho pensar nesse entrelaçamento de histórias, nessas vidas que se cruzam, nessa necessidade de pertencimento ao que, aparentemente, não nos pertence. É curioso a necessidade de abandonar-se um pouco, de se tornar coadjuvante do enredo,de se colocar à margem. É, a gente se cansa da gente. Dá vontade de se largar um pouco, de despir a pele, esvaziar-se, correr pra plateia e lá ficar assistindo ao nosso próprio espetáculo, e rir e chorar e silenciar. De repente surgiu a palavra "strong". De repente, do nada ela pulou na tela e eu aceno positivamente pra ela, é, precisamos ser fortes.
Estranho pensar nesse entrelaçamento de histórias, nessas vidas que se cruzam, nessa necessidade de pertencimento ao que, aparentemente, não nos pertence. É curioso a necessidade de abandonar-se um pouco, de se tornar coadjuvante do enredo,de se colocar à margem. É, a gente se cansa da gente. Dá vontade de se largar um pouco, de despir a pele, esvaziar-se, correr pra plateia e lá ficar assistindo ao nosso próprio espetáculo, e rir e chorar e silenciar. De repente surgiu a palavra "strong". De repente, do nada ela pulou na tela e eu aceno positivamente pra ela, é, precisamos ser fortes.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Le,le,le,le...
A vizinhança sempre surpreende, de qualquer lugar, zona norte ou sul, classe A ou C. E quando você tem uma audição como a minha torna-se mais reveladora ainda. Não que eu seja uma mexeriqueira de plantão, uma dona Fifi, mas simplesmente não dá pra desprezar certos recortes de diálogos inimagináveis como os que eu tenho escutado.
Minha personagem tem o nome de protagonista de uma antiga novela de escravos. Seria mais fácil se eu citasse o nome, mas não sei porquê prefiro fazer lembrar que dizer. Na época, eu me derramava em lágrimas, condoída com o destino nefasto vivido pela minha mocinha predileta da novela das seis, que aliás fez da atriz Lucélia Santos uma atriz intercontinental.
Na vida real, muito mais real que desejamos, minha personagem de carne e osso trava uma batalha dramática contra a estrutura patriarcal doméstica. Talvez mãe solteira, talvez desempregada, talvez recém amasiada, talvez...tudo é suposição, porque os pseudo fatos me vem junto com o vento, em frases entrecortadas que me chegam como peças de um quebra cabeça que eu dedicadamente tento montar.
Minha personagem, em cima de uma laje, defende sua identidade aos berros, enquanto do outro lado, uma voz anciã e masculina repete incessantemente impropérios e palavrões que não se aprendem na escola. Palavras muito pesadas que há muito desonram as profissionais do sexo.
Eu penso: O que essa moça, de 31 anos, até a idade dela eu já sei, fez de tão grave pra ouvir esse tipo de coisa. Nenhuma resposta plausível me veio, cheguei a pensar em intermediar em favor dela, mas seria impensável, apesar de eu estar pensando muito seriamente nisso.
Os dias se passaram, as agressões não e as informações me fizeram entender o grande problema dela. É bem simples, ela não tem grana e colocou um homem pra morar com ela. E a gente sabe, se você não casa, não tem herança, nem festa, nem presentes, nem chá de casa nova, nem... Ou seja, o melhor a fazer é assumir sua condição vegetal e anular-se como uma reles auxiliar da grande família ao seu redor. Mas, algumas mulheres resolvem gritar e tornar público aquilo que é privado. Resolvem dizer que estão vivas e precisam também de trabalho, oportunidade e sexo.
Minha personagem tem o nome de protagonista de uma antiga novela de escravos. Seria mais fácil se eu citasse o nome, mas não sei porquê prefiro fazer lembrar que dizer. Na época, eu me derramava em lágrimas, condoída com o destino nefasto vivido pela minha mocinha predileta da novela das seis, que aliás fez da atriz Lucélia Santos uma atriz intercontinental.
Na vida real, muito mais real que desejamos, minha personagem de carne e osso trava uma batalha dramática contra a estrutura patriarcal doméstica. Talvez mãe solteira, talvez desempregada, talvez recém amasiada, talvez...tudo é suposição, porque os pseudo fatos me vem junto com o vento, em frases entrecortadas que me chegam como peças de um quebra cabeça que eu dedicadamente tento montar.
Minha personagem, em cima de uma laje, defende sua identidade aos berros, enquanto do outro lado, uma voz anciã e masculina repete incessantemente impropérios e palavrões que não se aprendem na escola. Palavras muito pesadas que há muito desonram as profissionais do sexo.
Eu penso: O que essa moça, de 31 anos, até a idade dela eu já sei, fez de tão grave pra ouvir esse tipo de coisa. Nenhuma resposta plausível me veio, cheguei a pensar em intermediar em favor dela, mas seria impensável, apesar de eu estar pensando muito seriamente nisso.
Os dias se passaram, as agressões não e as informações me fizeram entender o grande problema dela. É bem simples, ela não tem grana e colocou um homem pra morar com ela. E a gente sabe, se você não casa, não tem herança, nem festa, nem presentes, nem chá de casa nova, nem... Ou seja, o melhor a fazer é assumir sua condição vegetal e anular-se como uma reles auxiliar da grande família ao seu redor. Mas, algumas mulheres resolvem gritar e tornar público aquilo que é privado. Resolvem dizer que estão vivas e precisam também de trabalho, oportunidade e sexo.
domingo, 12 de setembro de 2010
Comer, rezar, amar
Nessa minha peregrinação literária, estou agora na Itália e não dá pra não sentir os sabores e perfumes tão bem descritos pela minha autora e mentora.
sábado, 11 de setembro de 2010
Sabe aquele texto que você gostaria de escrever? Taí.
"Sinto-me contente neste cenário romântico, mesmo estando completamente sozinha, enquanto todas as outras pessoas no parque estão acariciando um amante ou brincando com uma criança risonha. Mas quando paro e me apoio em uma balaustrada para admirar o pôr do sol, acabo pensando um pouco demais, e meus pensamentos se tornam sombrios, e é então que as duas me encontram.
Aproximam-se de mim, silenciosas e ameaçadoras como detetives particulares, e me cercam - a Depressão pela esquerda, a Solidão pela direita. Sequer precisam me mostrar seus destintivos. Eu as conheço muito bem. Há anos temos brincado de gato e rato. Embora eu reconheça que estou surpresa por encontrá-las neste elegante jardim italiano ao entardecer. Elas não combinam com este lugar.
Pergunto a elas:
"Como vocês me encontraram aqui? Quem disse a vocês que eu tinha vindo pra Roma?
A Depressão, sempre bancando a esperta, diz:
"Como assim, você não está feliz em nos ver?"
"Vá embora", digo a ela.
A Solidão, a mais sensível das duas, diz:
"Desculpe, mas eu talvez precise seguir a senhora durante toda sua viagem. É a minha missão."
"Eu preferia que você não fizesse isso, digo-lhe, e ela dá de ombros, quase pedindo desculpas, mas se aproximando ainda mais.
Então elas me revistam. Esvaziam meus bolsos de qualquer alegria que eu estivesse carregando aqui. A Depressão chega a confiscar minha identidade; mas ela sempre faz isso. Então s Solidão começa a me interrogar, coisa que detesto, porque sempre dura horas. Ela é educada, mas implacável, e sempre acaba me encurralando..."
Comer, rezar, amar - Elizabeth Gilbert
Aproximam-se de mim, silenciosas e ameaçadoras como detetives particulares, e me cercam - a Depressão pela esquerda, a Solidão pela direita. Sequer precisam me mostrar seus destintivos. Eu as conheço muito bem. Há anos temos brincado de gato e rato. Embora eu reconheça que estou surpresa por encontrá-las neste elegante jardim italiano ao entardecer. Elas não combinam com este lugar.
Pergunto a elas:
"Como vocês me encontraram aqui? Quem disse a vocês que eu tinha vindo pra Roma?
A Depressão, sempre bancando a esperta, diz:
"Como assim, você não está feliz em nos ver?"
"Vá embora", digo a ela.
A Solidão, a mais sensível das duas, diz:
"Desculpe, mas eu talvez precise seguir a senhora durante toda sua viagem. É a minha missão."
"Eu preferia que você não fizesse isso, digo-lhe, e ela dá de ombros, quase pedindo desculpas, mas se aproximando ainda mais.
Então elas me revistam. Esvaziam meus bolsos de qualquer alegria que eu estivesse carregando aqui. A Depressão chega a confiscar minha identidade; mas ela sempre faz isso. Então s Solidão começa a me interrogar, coisa que detesto, porque sempre dura horas. Ela é educada, mas implacável, e sempre acaba me encurralando..."
Comer, rezar, amar - Elizabeth Gilbert
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Mais do mesmo
Mais um dia igual aos outros e completamente diferente. Talvez pelo cheirinho de café que ficou nas minhas mãos, ou o toque de lavanda do agasalho que me vestiu no final do dia. Alguma música que chegou até mim pelas ondas do rádio. Não sei. A saudade de repente do Pedrinho e da nossa rotina de almoço e escola. Um rosto que vai e vem, assim como as promeças que não foram feitas. Um email trocado, uma foto revista, uma fofoca da revista e o dia passou.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Pelos degredados filhos de Eva
Ouço o vento rugindo atrás das portas e janelas. Sinto o coração rugindo dentro do peito. É sempre a mesma dor, a mesma sensação de inadequação que me acompanha desde sempre. Queria ver o rosto de minha mãe celestial, oh Maria! Rezo silenciosamente o "Salve Rainha", meditando a beleza de cada palavra. Preciso rezar mais, por mim, pelos meus, por todos os degredados filhos de Eva. O pó das estrelas, o pó que ficou pela estrada à espera de Deus.
sábado, 28 de agosto de 2010
Sobre o tempo

Adoro lugares com um quê de antigos. Adoro a sensação de que o tempo por ali passou e se deixou estar, com vagar. Imagino os passos, indo e vindo, de muitas pessoas, gerações inteiras, correndo atrás da vida e dela fazendo sua matéria prima. Amores e paixões. Promessas e desilusões. Crimes e dádivas. Na mesma sala de estar... O couro curtido do sofá descaído, a madeira marcada com talhos de faca, a louça terçã, de cor avelã, e se tecidos houver, na amerilidão, o tempo dirá: foi-se a moça bela, foi-se a alvidez da tez. O pai aqui jaz e a criança se tornou rapaz. Sobrou um ledo engano de eternidade, para outros que aqui ainda vivem sua mocidade.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Lembranças da última viagem
Nessa parede clara, eu penduro a tralha que comprei na última viagem. Um tanto de figuras emolduradas de pura alegria, lembranças daquele dia, daquela casa humilde que não nos cabia, mas que nos abraçava com suas paredes rotas e suas nódoas roxas da umidade. Manchas que pareciam flores enormes, flores de outono aquareladas em tons rosas e liláses. Queria poder guardar também aquele cheiro de chá com pitadas de limão galego que invadia nossas narinas quando lá tornávamos depois de tanto caminhar. Ou quem sabe, guardar o sabor daquelas broinhas quase feitas de nadinha e tão cheias de sabor, broinhas de milho, salpicadas de anis. A lenha queimando, a canela em pó, o café no ponto, o gato roçando o rabo em nós. A conversa fiada, a mãe e a fiarada, o homem colhendo os ovos pintados e a galinha correndo atrás. Mas o tempo avoa e a digital, tão moderna, não alcança a eternidade dos panos sacudidos no varal.
Belo e invisível
A beleza está em todo lugar. Na mesa posta, na comida ornando o prato, naqueles em torno da mesa discursando sobre o belo,e que cegos, não podem vê-la, só sabê-la. Nem sempre está na TV ou nas passarelas, nem nas grifes ou em seus proprietários, sujeitos muito etários. Mas, olhe bem ao lado e verás, a beleza também passa ao largo, seguindo o passo despretencioso daquele moço. Invisível esfinge suburbana.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Pausa para pensar.
O fato é que nem sempre somos bem-vindos, bem queridos, desejados, enfim... Há tempos em que nos querem de longe e, pior que eles, somos nós que queremos estar longe deles. Aí, nada melhor que uma pausa para pensar. Vai um chá aí?
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