
Adoro lugares com um quê de antigos. Adoro a sensação de que o tempo por ali passou e se deixou estar, com vagar. Imagino os passos, indo e vindo, de muitas pessoas, gerações inteiras, correndo atrás da vida e dela fazendo sua matéria prima. Amores e paixões. Promessas e desilusões. Crimes e dádivas. Na mesma sala de estar... O couro curtido do sofá descaído, a madeira marcada com talhos de faca, a louça terçã, de cor avelã, e se tecidos houver, na amerilidão, o tempo dirá: foi-se a moça bela, foi-se a alvidez da tez. O pai aqui jaz e a criança se tornou rapaz. Sobrou um ledo engano de eternidade, para outros que aqui ainda vivem sua mocidade.

